POPULAÇÃO DE ITABIRITO QUESTIONA FALTA DE INFORMAÇÕES E PROCEDIMENTOS ADOTADOS EM RAZÃO DE RISCO DE BARRAGEM

A preocupação sobre o estado atual das barragens Forquilha 1 e 3, situadas na cidade de Ouro Preto, bem como a situação do sistema “SIGA E PARE”, adotado na BR 356 e a preocupação com transferência dos detentos do Presídio de Itabirito/MG, em razão do risco de rompimento das mencionadas barragens, foi tema de audiência pública na tarde desta quarta-feira (03/04). 

A reunião foi conduzida pelo deputado Sargento Rodrigues, presidente da Comissão de Segurança Pública, que iniciou suas considerações criticando a atuação da empresa Vale, bem como a ausência de representantes da empresa, que foram convidados, mas não compareceram.

De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), desde o dia 27/3, as duas estruturas entraram em alerta máximo para risco de rompimento, passando de nível 2 para 3. Ambas foram construídas pelo sistema a montante, o mesmo adotado na barragem da Mina Córrego do Feijão, que rompeu em Brumadinho, em 25 de janeiro deste ano, matando centenas de pessoas. No caso de um rompimento, segundo a Defesa Civil, em cerca de uma hora e meia os rejeitos chegariam até Itabirito, localizada em região considerada “zona secundária” de risco.

O representante do Corpo de Bombeiros, Coronel Alessandro Fábio Dalgan, relatou que no dia 27 de março aconteceu uma reunião de urgência, na Cidade Administrativa, para qual foram chamados, juntamente com representantes da Vale, da Defesa Civil e do Ministério Público. A mineradora comunicou a elevação das barragens para o nível 3, que representa risco iminente. A decisão foi baseada em nova análise feita no laudo de setembro de 2018, mas não souberam explicar direito se a mudança se deu apenas por alteração dos critérios de avaliação ou por mudanças efetivas na situação das barragens. “Nós questionamos, o Ministério Público e a Defesa Civil também, mas as respostas não foram conclusivas. Assim, a decisão foi por se cumprir o protocolo de segurança e tocar a sirene, uma vez que a mudança de nível de segurança é responsabilidade da empresa, motivo pelo qual não poderíamos correr o risco”, explicou.

Representando o Ministério Público, a procuradora Marta Larcher reiterou que a instituição vem trabalhando incansavelmente, de forma integrada com os demais órgãos públicos. Ela confirmou a ausência de respostas concretas aos questionamentos feitos durante a reunião do dia 27. Segundo ela, a situação de risco das barragens é de conhecimento da Vale desde julho do ano passado. “O alerta dado dias atrás, se deu em razão do fato de não terem conseguido renovação do laudo de estabilidade, então mudaram a forma de classificação”, afirmou

O diretor da associação dos moradores de São Gonçalo do Bação, Elias Costa, fez o balanço da rotina da comunidade que está sendo afetada após o alerta máximo para risco de rompimento. Com o medo e a falta de segurança a cidade tem perdido visitantes. Os vereadores presentes foram unânimes ao se referirem a insegurança e falta de informação fornecida pela Vale.

Outro ponto de questionamento foi a adoção do método “siga e pare" na BR-356. O uso desse sistema – com uma parte da via liberada e a outra fechada – teve início em decorrência da ameaça de rompimento de outra barragem da Vale, a de Vargem Grande, em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH.

O jornalista e pastor, Anderson Martins, criticou a falha de comunicação. Segundo ele o principal medo da comunidade é a falta de informação e questionou o sistema “PARE E SIGA”. “Qual estudo comprova que o “PARE E SIGA” é seguro? As informações não chegam completas. A empresa está ocultando informação para quem precisa. É uma falta de respeito, a comunidade não é um fantoche.” disse.

O Comandante da Polícia Rodoviária Estadual, Coronel Olimpio Garcia Pereira Junior, explicou que as operações na BR 356 estão sendo coordenadas pela Polícia Militar e que as medidas adotadas são para minimizar os riscos e tranquilizar a população. “Fizemos exigências à Vale, que disponibilizou funcionários para realizar a operação Siga e Pare, que foram capacitados para isso e estão sob nossa supervisão. Além disso, providenciaram iluminação noturna, aluguel de cones para demarcarmos a área, desonerando o Estado, e montagem de ilhas de segurança no trajeto, para servirem de escape em caso de situações de panes de veículos na via e outras”, explicou. Segundo ele, as ações de Siga e Pare, apesar dos transtornos causados aos usuários da via, são necessárias, por estratégia de segurança, em razão do risco de ruptura das barragens.

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Ações Sargento Rodrigues

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