Denúncia de aparelhamento político da Polícia Civil é debatida em audiência

A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou audiência pública na manhã desta terça-feira (10/07), para discutir o suposto envolvimento de integrantes da Polícia Civil e agentes políticos com vistas a aparelhamento da corporação. O caso veio a público após áudio exibido pela "Rede Record" e pelo "Portal R7" em reportagem veiculada no dia 20/06/2018. O telefonema sugeriu a articulação para demissão da ex-chefe da polícia. Na gravação, o delegado João Otacílio Neto, atual chefe de corporação, foi flagrado em conversa com o assessor do Deputado Estadual Durval Ângelo, Élcio Sá Bernardes, falando sobre a possível saída da colega, e então chefe da corporação, Andrea Vacchiano. 

Ligado ao vereador Wellington Magalhães, João Otacílio Neto pede para Élcio Sá Bernardes agendar uma reunião com o parlamentar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A conversa foi gravada em julho de 2016. No mês seguinte, a delegada Andrea Vacchiano foi substituída por João Otacílio Neto.

Ao abrir a reunião, o deputado Sargento Rodrigues, presidente da Comissão, destacou trechos da gravação, classificados por ele como vergonhosos, pois se assemelham a uma conversa de membros de uma organização criminosa: “Assim é melhor! Eu vou trazer todos os companheiros. É até bom que a gente faz uma… Trazer a turma toda lá. Sabe porque, Élcio”? Aí tem muita coisa importante pra gente fazer naquela fraude ali. Nós estamos tomando chapéu. O pessoal “tá” segurando. Eu falei pro Odair [Odair Cunha]: Odair, não pode. Essas fraudes têm que ficar na mão da gente! Assim , nós temos companheiros bons pra ficar lá e tal e fica essa p*** aí, esse trem na mão da Andrea… Na mão desse Alexandre não está funcionando".

A gravação foi feita com autorização da justiça e está sendo usada para investigações contra o vereador Wellington Magalhães.

AUDIÊNCIA
Para a audiência, foram convidados o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, João Octacílio Silva Neto, que enviou um ofício informando a impossibilidade de comparecer devido a compromissos profissionais anteriormente agendados, o deputado federal, Odair José da Cunha, o secretário da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Sérgio Barboza Menezes, além de outros representantes que não compareceram e nem justificaram sua ausência. Estiveram presentes a ex-chefe da Polícia Civil, Andrea Vacchiana, o Sub-corregedor de Polícia Civil, Fábio Silva Tasca, além de outros representantes da corporação.

Ao falar sobre a gravação, Andrea Vacchiano contou que foi cobrada, em reunião com Odair Cunha e com o vereador Wellington Magalhães, por não atender aos pedidos do parlamentar. “Fui questionada pelo vereador sobre os motivos de não atender aos seus pedidos e expliquei que a demanda era muita e que cada caso era analisado individualmente, motivo pelo qual às vezes demorara e nem sempre era possível atender. Foi quando o Odair Cunha me alertou que eu deveria atender aos pedidos do presidente da Câmara até porque ele era “amigo do governo”. Saí da sala e continuei não aceitando as transferências que não eram justificáveis.

Para o deputado João Leite, a retirada de Andrea do cargo ocorreu por ela não aceitar influências políticas em suas decisões e criticou a escolha de João Octacílio para substituí-la. O deputado Sargento Rodrigues reafirmou que o comportamento flagrado no áudio causa estranheza e repulsa, informando que vai solicitar providências à corregedoria da Câmara dos Deputados, da Polícia Civil e ao Ministério Público.

DENÚNCIA
Durante a reunião, também surgiram outras denúncias envolvendo membros da corporação. As peritas da polícia Civil, Viviane Mendonça e Daniela Mendes, fizeram uma denúncia contra o delegado, ex-chefe do Departamento de Investigação de Fraudes da Polícia Civil de Minas Gerais, Rodrigo Bossi. Segundo elas, uma semana atrás foram surpreendidas com intimação para comparecerem à delegacia de Fraudes, como testemunhas em inquérito até então não informado.

No depoimento que ocorreu ontem (09/07), Viviane, a primeira a ser ouvida, relatou ter sido acusada pelo delegado de ter assinado, seis anos atrás, em conjunto com Daniela, um laudo que provocou uma condenação injusta de Nilton Monteiro. Ela conta que o delegado a questionou sobre o laudo, mas não lhe deu acesso a ele, e afirmou que elas são alvo de uma investigação que apura a existência de uma quadrilha dentro da Polícia Civil. Agindo com truculência, Bossi manteve Viviane por três horas em uma sala, tentando levá-la a cair em contradição o que, segundo ela, não aconteceu. Outros quatro delegados estavam presentes e ficaram visivelmente incomodados com o descontrole de Rodrigo Bossi, afirmou Viviane, que há 20 anos é perita criminal.

Em seguida, Daniela relatou ter passado por situação semelhante e ter sido acusada do mesmo ato. Ela negou qualquer irregularidade em seu trabalho e afirmou que, com 26 anos de polícia, sairá da corporação assim como entrou: sem deixar nenhum fio solto. Wilton Ribeiro, Presidente do Sindicato dos Peritos Criminais de Minas Gerais, reiterou que a denúncia já foi encaminhada para a corregedoria e que, se necessário, vão ao Ministério Público.

 

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