PM registra 4 ataques a banco em Minas; cabo é baleado em distrito de Oliveira

Um cabo da Polícia Militar lotado em Morro do Ferro, distrito da cidade de Oliveira, no Centro-Oeste de Minas Gerais, teve a casa cercada por criminosos e foi baleado na madrugada desta terça-feira durante a explosão do Banco Sicoob da cidade.

O ataque é o quarto registrado pela Polícia Militar no estado só nesta madrugada. As outras ocorrências foram registradas em Pompéu, onde um PM e um morador foram mortos por bandidos, em Santa Rita de Caldas e em Tapira.

Oliveira

De acordo com a corporação, 14 homens cercaram uma agência do Banco Sicoob em Morro do Ferro e explodiram os caixas eletrônicos. Em seguida, o bando seguiu para o quartel da Polícia Militar na cidade e atiraram por diversas vezes contra a unidade.

Ainda conforme a PM, o grupo se dividiu e alguns criminosos foram atá a casa de um cabo da PM, que mora no distrito e cercaram o imóvel. O militar percebeu a ação criminosa e pediu ajuda ao destacamento de Oliveira. Ao tentar sair da casa para um lugar mais seguro, o cabo foi baleado com um tiro no tórax que atingiu um pulmão.

No momento nenhum familiar estava na casa com o policial. Depois do ataque, os bandidos fugiram da cidade e, ainda na madrugada, um Fiat Strada Adventure foi encontrado na BR-494. O carro foi utilizado no ataque e havia sido roubado no dia 17 de novembro em Pedra do Indaiá, também no Centro-Oeste mineiro.

Nenhum suspeito de participar da ação ainda foi preso, mas as buscas seguem concentradas na BR-494, em cidades da região e em rodovias próximas, como a BR-381 e MG-050.

O cabo da Polícia Militar, Leonel Richs de Aquino, está em estado estável e foi socorrido por uma viatura do Corpo de Bombeiros para um hospital em Oliveira, mas segue em uma Unidade de Terapia Intensiva Móvel (UTI) e deve dar entrada no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, ainda nesta manhã.

Segundo o major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da PM, é possível que os bandidos tenham estudado detalhes sobre a região. "Se pegarmos as frações menores as pessoas se conhecem muito. Todo mundo conhece onde fica o quartel, mas também a residência dos policiais. O que nós estamos fortalecendo são as táticas para que eles possam fazer o enfrentamento, como também a resposta aos infratores", afirma.

Santa Rita de Caldas

Bandidos atacaram uma agência do Banco do Brasil e atiraram contra viaturas da Polícia Militar e casas próximas ao terminal de Santa Rita de Caldas, no Sul de Minas Gerais.

De acordo com a Polícia Militar, a ação ocorreu entre 4h e 4h30 desta madrugada. Não há informações de quantos criminosos participaram da ocorrência. Tiros de fuzil calibres 762 e 556 foram disparos contra viaturas e contra as casas vizinhas ao banco.

Ainda conforme a PM, não há dados que informem a quantia em dinheiro levada. Os responsáveis pela ação fugiram no sentido Ouro Fino, um município próximo á Santa Rita de Caldas. Um Renault Sandero utilizado na ação já foi encontrado nesta manhã na zona rural da cidade, onde as buscas policias estão concentradas.

A casa do comandante do destacamento da PM na cidade foi monitorada durante a explosão no banco por um dos criminosos armado com um fuzil, mas não houve nenhum ataque ao policial.

Um morador da cidade levantou um drone durante o ataque e tentou filmar a ação, mas o dispositivo apresentou falhas e não houve o registro em vídeo. Entretanto, câmeras de segurança do banco flagraram o crime e serão utilizadas nas investigações.

Tapira
O cofre de uma agência do Banco Sicoob de Tapira, no Alto Paranaíba, foi alvo de criminosos nesta madrugada. Dinheiro e joias que estavam armazenados no compartimento foram levados pelo bando.

O Tenente José Muniz, do 37º Batalhão de Polícia Militar, que faz patrulhamento na cidade, detalhou a ação dos bandidos. “Foram dois carros e uma caminhonete preta. Eles foram até a agência do Sicoob, foram até o cômodo em que fica o cofre, fizeram um buraco na parede e levaram uma quantia em dinheiro e outros objetos como joias que estavam no local,” contou.

Após a ação no banco, os criminosos fugiram para os municípios de Capetinga, na mesma região. Não houve confrontos dos policiais militares com os bandidos que estavam portando armas longas e pistolas.

Nesta manhã, conforme o tenente, operações de buscas ocorrem na zona rural de Tapira e em estradas vicinais que dão acesso aos municípios de Capetinga e Cássia. Policiais civis e federais são aguardados na cidade para realização dos trabalhos de perícia.

Pompéu

Moradores de Pompéu, no Centro-Oeste de Minas Gerais, vivem uma terça-feira de pânico. Criminosos fortemente armados invadiram a cidade durante a madrugada, atacaram um banco, atiraram contra o quartel da PM e mataram um policial, um morador e feriram outro militar.

De acordo com a Polícia Militar de Bom Despacho, responsável pela região, os bandidos chegaram em cinco veículos, sendo um deles uma moto. Armados com fuzis e espingardas calibre 12, eles tentaram trancar a porta do quartel com correntes. Os bandidos ainda atiraram várias vezes contra o imóvel e os militares revidaram, evitando que a entrada fosse fechada.

Ozias Alves de Barros, de 33 anos, cabo da PM, foi atingindo por um disparo na cabeça e morreu no local. Um outro militar foi ferido nas costas e na virilha. Ele foi levado para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O funcionário de uma lanchonete que deixava o trabalho e que passava perto do banco no momento dos disparos também foi atingido e morreu.

Os bandidos ainda teriam colocado miguelitos, artefatos feitos com pregos, e correntes na rodovia de acesso à cidade para complicar a ação dos policiais.Um Palio Weekend utilizado na ação foi incendiado pelos bandidos em uma rodovia. Todas as cidades que compõem o 7º Batalhão continuarão sendo monitoradas para encontrar os criminosos.

De acordo com o major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da PM, o comandante-geral da corporação já determinou uma grande operação na área e forças do Comando de Policiamento Especializado já estão no cerco aos bandidos. Ainda segundo o militar, o funcionário pode ter sido baleado pelos bandidos como uma estratégia para diminuir a perseguição.

"É imprenscindível uma ação legislativa vigorosa, uma ação da rede bancária, uma ação das nossas fronteiras, para evitar que esse armamento pesado chegue e também que esses indivíduos fiquem presos. É inconcebível que um cidadão que atira contra um jovem que nada tinha a ver com a situação permaneça solto ou tenha algum benefício legal e com isso volte às ruas", afirma o major Flávio Santiago.

Jornal Estado de Minas

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